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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Plano do Senhôr para Portugal : O Milagre de Ourique !


 
 

A Batalha de Ourique e o nascimento do Reino de Portugal

Foi a partir da Batalha de Ourique que nascêu o Reino de Portugal . Ao enfrentar os Mouros , os Portuguêses achavam-se em grande inferioridade numérica, sendo que muitos cronistas idóneos , referem-se a cem Mouros para cada Lusitano. Nessa situação crítica, Nosso Senhôr veio em auxílio dos Cristãos e designou definitivamente D. Afonso Henrique como Rei dos Portuguêses.

Bastaria a tradição do aparecimento de Cristo, o nosso Salvadôr , mercê feita a El-Rey D. Afonso Henriques, mas esta é ainda confirmada, pelos textos dos nossos autôres, assim como o de muitos estrangeiros gravíssimos, para se têr como certo o favôr que Dêus Nosso Senhôr quis fazer à Nação Portuguêsa. Mas para maior confirmação , ordenou o mesmo senhôr El-Rey , parece que com particular providência, que nos ficasse outra memória ilustríssima dessa verdade. E é uma escritura autêntica em que o mêsmo rei D. Afonso jura pêlos santos Evangelhos como viu com os seus próprios olhos o Salvadôr do mundo na forma que temos contado.



Achou-se, no ano de 1506, no cartório do Real Mosteiro de Alcobaça e foi instrumento o Doutôr Frei Bernardo de Brito, cronista-mor de Portugal, a quem o Reino deve com a glória adquirida pêlos seus escritos, as graças de tão ditôso achado. É um pergaminho de lêtra antiga, já gasto, com o sêlo de El-Rey D. Afonso, e outros quatro de cêra vermelha, com pendentes de fios de sêda da mêsma côr, confirmado por pessôas de autoridade, em que se fundamenta o maior crédito humano que pode havêr em escrituras.

O Doutôr Frei Lourenço do Espírito Santo, Abade então daquela Casa Geral da Ordem de Cister, nêste reino, pessôas de grandes lêtras e muita prudência, julgou sêr vontade de Dêus divulgar-se por tôdos esta memória. E assim, indo a Lisboa, alevou o pergaminho e mostrou aos senhôres do governo, e depois fazendo jornada à côrte de Madrid, o apresentou

ao católico rei D. Felipe II, e o viram também muitos grandes da sua côrte, e por tôdos foi venerado e estimado como merecia , um documento de tanto prêço, do qual o teor é o seguinte:



“Eu, Afonso, Rei de Portugal, filho do Conde D Henrique e neto do grande Rei D. Afonso, diante de vós, Bispo de Braga e Bispo de Coimbra e Teotónio, e de tôdos os demais vassalos do mêu reino, juro nesta Cruz de metal, e nêste livro dos Santos Evangelhos, em que eu pônho as minhas mãos, que êu, miserável pecadôr, vi com estes olhos indignos a Nosso Senhôr Jesus Cristo estendido na cruz, do modo seguinte:

“Êu estava com o meu exército nas terras do Alentejo, no Campo de Ourique, para dar batalha a Ismael e outros quatro reis mouros que tinham consigo infinitos milhares de homens. E a minha gente , temerosa da sua multidão, estava muito atribulada e triste. Em tanto que publicamente, diziam alguns sêr temeridade acometêr tal jornada. E eu, enfadado do que ouvia, comecei a cuidar comigo o que faria. E como estivesse na minha tenda um livro em que estava escrito o Testamento Velho e o de Jesus Cristo, abri-o e li nele a vitória de Gedeão, e disse para mim mesmo. Muito bem sabeis vós, Senhor Jesus Cristo, que por Amôr Vosso tomei sobre mim esta guerra contra os Vossos adversários. Em Vossa Mão está, dar a mim e aos mêus, fortaleza para vencêr estes blasfemadores do Vosso Nôme.
“Ditas estas palavras, adormeci sôbre o livro e comecei a sonhar que via um homem velho vir para onde eu estava e que me dizia: Afonso, tem confiança, porque vencerás e destruirás estes reis infiéis e desfarás a sua potência e o Senhor Se te mostrará.


“Estando nesta visão, chegou João Fernandes de Souza, meu camareiro, dizendo-me: Acorde senhôr mêu, porque está aqui um homem velho que vos quer falar. Entre - respondi-lhe - se é cristão.

“E tanto que entrou, conheci sêr aquêle que no sonho vira, o qual me disse:

“Senhôr, tende bom coração, vencereis e não sereis vencido. Sois amado do Senhôr, porque sem dúvida Pôs sobre vós, e sôbre a vossa geração depois dos vossos dias, os olhos da Sua Misericórdia, até a décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão, mas nela assim diminuída, Êle tornará a pôr os olhos e Verá. Êle me Manda dizêr-vos que quando na seguinte noite ouvirdes a campainha da minha ermida, na qual vivo há sessenta e seis anos guardando no meio dos infiéis com o favôr do mui Alto, saiais fora do Real, sem nenhum criado, porque vos Quer mostrar a Sua grande Piedade.


“Obedeci, e prostrado em terra, com muita reverência, venerei o embaixadôr e Quem o mandava. E como, pôsto em oração, aguardava o som, na segunda vela da noite ouvi a campainha, e armado com espada e rodela, saí fora dos reais, e súbitamente vi à parte direita, contra o nascente, um raio resplandecente e indo-se pouco a pouco clarificando, cada hora se fazia maior.

E pondo de propósito os olhos para aquela parte, vi de repente, no próprio raio o sinal da Cruz, mais resplandecente que o Sol, e um grupo grande de mancebos resplandecentes, os quais creio que seriam os santos anjos. Vendo pois esta visão, pondo à parte o escudo e a espada, (...) me lancei de bruços e desfeito em lágrimas comecei a rogar pela consolação dos meus vassalos, e disse sem nenhum temôr:



“A que fim me apareceis, Senhôr? Quereis porventura acrescentar fé, a quem tem tanta? Melhor é, por certo, que Vos vejam os inimigos e creiam em Vós, que êu que dêsde a fonte do baptismo Vos conheci por Dêus verdadeiro, Filho da Virgem e do Padre Eterno, e assim Vos conheço agora.

“A Cruz era de maravilhosa grandeza, levantada da terra quase dez côvados. O Senhôr , com um tom de voz suave, que as minhas orelhas indignas ouviram, disse-me:

“Não te apareci dêste modo para acrescentar a tua fé, mas para fortalecêr o têu coração nêste conflito, e fundar os princípios do têu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, mas tôdas as outras em que pelejares contra os inimigos da minha Cruz. Acharás a tua gente alegre e esforçada para a peleja, e te pedirá que entres na batalha com o título de Rei. Não ponhas dúvida, mas tudo quanto te pedirem, lhes concede fácilmente. Eu Sou O Fundadôr e o Destruidôr dos reinos e impérios, e Quero em ti e nos têus descendentes fundar para Mim um Império, por cujo meio, seja o Mêu Nôme publicado entre as nações mais estranhas. E para que os teus descendentes conheçam Quem lhes dá o reino, comporás o Escudo das tuas armas com o prêço pêlo qual Eu Remi o género humano, e daquêle porque fui comprado pêlos judeus, ser-me-á o reino santificado, puro na fé e amado na Minha Piedade.

“Eu, tanto que ouvi estas coisas, prostrado em terra, O adorei dizendo: Por que méritos, Senhor, me mostrais tão grande misericórdia? Ponde, pois, os Vossos benignos Olhos nos sucessôres que me prometeis, e Guardai salva , a gente portuguêsa. E se acontecêr que Tenhais contra ela algum castigo aparelhado, executai-o antes em mim (...) e livrai este povo que amo como o único filho.

“Consentindo nisso, o Senhôr disse-me : Não se apartará nunca dêles nem de ti, a Minha Misericórdia, porque por sua via tenho aparelhadas grandes searas, e a êles escolhidos por mêus seguidores em terras muito remotas.


“Ditas estas palavras Desaparecêu e êu, cheio de confiança e suavidade me tornei para o real. E porque isto se passou em verdade, juro, eu, D. Afonso, pêlos Santos Evangelhos de Jesus Cristo, tocados com estas mãos. E, portanto, mando aos mêus descendentes que para sempre sucederem, que em honra da Cruz e das Cinco Chagas de Jesus Cristo, tragam no sêu escudo, os Cinco Escudos partidos em Cruz, e em cada um dêles os trinta dinheiros, e por timbre a Serpente de Moisés, por sêr a figura de Cristo e êste seja o troféu da nossa geração. E se alguém intentar o contrário, que seja maldito do Senhôr e atormentado no inferno com Judas, o traidôr.

“Foi feita a presente carta em Coimbra aos vinte e nove de Outubro, na Era de 1152,

“êu, El-Rey D. Afonso”.

(Fonte : da Crónica d ' E l – Rey D Afonso Henriques por Duarte Galvão)

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