Meditação por Portugal

Ao Encontro da Alma Luzitana

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sábado, 17 de agosto de 2013

Nuno Álvares Pereira



Faz hoje, 24 de Junho, 653 anos que nasceu Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável

Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento o men...ino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.

Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.

Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela eucaristia e pela Virgem Maria são a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.

Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabo por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria. Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma longínqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria —a sua terna Padroeira que sempre venerou—, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.

Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.

Foto: "Pelo Reino, Pela Pátria, por Deus", pintura de Gabriela Marques Costa

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Hoje 24 de Junho comemora-se a gloriosa BAtalha de São Mamede
 
BATALHA DE SÃO MAMEDE
A 24 de Junho, quando Portugal em peso faz fogueiras a São... João, praticamente só em Guimarães se celebra aquilo que, desde os Anais de D. Afonso, Rei dos Portugueses, é considerado o primeiro episódio da história portuguesa: a Batalha de São Mamede.

Eis o relato que concede à lenda o seu lugar na história da batalha de São Mamede e aos nobres o papel decisivo na vitória de Afonso Henriques que, assim, teria ficado na sua dependência.

“Na era de 1166 [ano de 1128], no mês de Junho, na festa de S. João Baptista, o ínclito Infante D. Afonso, filho do conde Henrique e da rainha D. Teresa, neto do grande imperador da Hispânia, D. Afonso, com o auxílio do Senhor e por clemência divina, e também graças ao seu esforço e persistência, mais do que à vontade e ajuda dos parentes, apoderou-se com mão forte do reino de Portugal. Com efeito, tendo morrido seu pai, o conde D. Henrique, quando ele era ainda criança de dois ou três anos, certos [indivíduos] indignos e estrangeiros pretendiam [tomar conta] do reino de Portugal; sua mãe, a rainha D. Teresa, favorecia-os, porque queria, também, por soberba, reinar em vez de seu marido, e afastar o filho do governo do reino. Não querendo de modo algum, suportar uma ofensa tão vergonhosa, pois era já então de maior idade e de bom carácter, tendo reunido os seus amigos e os mais nobres de Portugal, que preferiam, de longe, ser governados por ele, do que por sua mãe ou por [pessoas] indignas e estrangeiras. Acometeu-os numa batalha no campo de S. Mamede, que é perto do castelo de Guimarães e, tendo-os vencido e esmagado, fugiram diante deles e prendeu-os. [Foi então que] se apoderou do principado e da monarquia do reino de Portugal.” (in “Dom Afonso Henriques“, José Mattoso, Círculo de Leitores, 2006, página 45))

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ACREDITAR E AMAR PORTUGAL
“Portugal é, como muitas vezes dizemos, um pequeno país à beira-mar plantado, mas da mesma forma que dizemos que os homens não se medem aos palmos, não nos deve surpreender que o mesmo aconteça com a história do nosso país, que é uma grandiosa epopeia com a qual só alguém que não seja português não se identifica. E essa epopeia, de que somos os felizes herdeiros, foi feita por homens... e Portugueses. Quando os mitos renascem encarnam em homens. E uma vez que há homens, os mitos têm renascido ao longo dos séculos sob os mais diversos matizes:

a) O primeiro mito português terá nascido por acção da obra do nosso primeiro rei D. Afonso Henriques. Desde a sua visão de Ourique, inscrita nas cinco quinas do escudo português, até ao seu reconhecimento como rei pelo papa, D. Afonso Henriques outorgou a legitimidade da nossa unidade como povo, como futura nação; deu-nos o mito, um sonho, um projecto ecuménico pelo qual lutar;

b) Com a Ordem do Templo este projecto tomou um corpo mais místico e político que, posteriormente, foi apoiado e desenvolvido pelo Rei Lavrador D. Dinis de uma forma mais pragmática e pela sua esposa, Rainha Santa Isabel, de uma forma mais espiritual.

c) D. Nuno Álvares Pereira, cavaleiro-monge, encarnou um outro aspecto do mito: ajudou heróica e decisivamente a nação a superar a sua primeira grande crise histórica. O modelo base deste projecto está associado ao ideal da Cavalaria da Idade Média (ou dos cavaleiros da Távola Redonda da corte do Rei Artur) na demanda do cálice sagrado (Santo Graal), tendo como orientação a divisa templária de agir e servir somente para glorificar o nome do Senhor.

O sonho foi tomando corpo próprio nas gentes do povo e o Infante D. Henrique foi o arauto desses novos tempos que se avizinhavam. Foi o momento decisivo que catapultou inteligentemente a saga lusa para o infinito oceano, fruto de todo um saber sabiamente acumulado em torno de si e que muito audazmente soube gerir. O sonho que até aí parecia impossível e que já vinha sendo preparado desde o Rei Lavrador (a replantação do pinhal de Leiria fazia parte do plano de obter madeira para a construção das caravelas e naus) tornou-se possível. Cientificamente foi preparado e espiritualmente foi alimentado por um ideal de propagação da fé e de intercâmbio entre povos e culturas. De facto, com este plano secular, o mar fez-se, cumpriu-se e tornou-se um só, e a sã convivência entre povos, credos, raças, culturas tão diferentes foram ricas nuances de um plano global que visava num futuro, talvez secular ou milenar, quem sabe, lançar as fundações de um Império Ecuménico Universal.

Nesse sentido faltou, ou melhor, falta cumprir-se Portugal (nas palavras do poeta Pessoa), porque a nação que fez nascer uma nova luz no mundo, ainda não regressou ao ponto de partida, para unificar o mundo e consagrá-lo ao Senhor.

Ficou-se no plano físico, falta o aspecto espiritual que dá a dimensão plena do projecto iniciado.” – Eduardo Amarante

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Oração ao Arcanjo Miguel
GUARDIÃO DE PORTUGAL

Faça de mim um ser que compreende e nunca julga
...
Invocação - Oração ao Arcanjo Miguel

.Miguel, que trabalhais para o resplendor da verdade, peço que sua proteção permaneça comigo. Eu a receberei como um privilégio, sempre respeitando e recebendo-a de maneira verdadeira. Permita que caminhe sempre com dignidade, afaste de mim os pensamentos opostos à luz, faça de mim um amigo, que sempre compreende e nunca julga. Peço, amado Arcanjo Miguel, que ajude a vencer as energias de oposição à luz, nas formas materiais e espirituais, conscientes ou inconscientes. Peço para que as expulse pois a minha verdade é a sua verdade, a verdade divina. Permita, Arcanjo Miguel, que através da imposição da sua espada, possa conferir-me a proteção que necessito. Afaste de mim tudo o que esteja me desviando do plano divino para minha vida. Peço também para curar todas as enfermidades físicas e espirituais no meu corpo. Meu coração está ligado a sua energia que é a minha verdade. Faça de mim um mensageiro fiel da suprema verdade de Deus.
Salve amado Arcanjo Miguel!
Amém!
24 de Junho, nascimento de Nuno Álvares Pereira
 
24 de Junho, nascimento de Nuno Álvares Pereira

NUN'ÁLVARES PEREIRA
Que auréola... te cerca?
É a espada que, volteando,
faz que o ar alto perca
seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
ergue a luz da tua espada
para a estrada se ver!
(Fernando Pessoa)

Comentários:
Segundo lendas pagãs de origem irlandesa a espada Excalibur foi dada ao Rei Artur pela Dama do Lago. Era mágica e tornava-o quase invencível. De acordo com uma tradição guerreira muito antiga, era costume ser dado nome a uma arma notável pela sua beleza ou qualidade. Excalibur não podia ser quebrada e o seu nome tem origem céltica e quer dizer "relâmpago duro".
"S.Portugal em ser"- personificação do que há de místico em Portugal (ou do melhor e mais puro em Portugal).

"Ergue a luz da tua espada para a estrada se ver!"- inspira-nos para que encontremos o caminho (da grandeza de Portugal).

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A NOITE MÁGICA DE S. JOÃO
“A festa de S. João está ligada aos rituais antigos do solstício de Verão e toma a expressão de um combate em que o Verão vence definitivamente o Inverno. Esta cerimónia está relacionada com S. João Baptista, o mensageiro de Cristo. A partir do S. João (24 de Junho) os dias começam a perder força, e é então quando se inicia a fase que culminará com o advento de Cristo.

A partir do nascimento de Cristo o dia começa a vencer a noite. Assim, com S. João há um declínio e com Cristo há uma ascensão: a luz vence as trevas. O solstício de Inverno é chamado pelos romanos Sol Invicto, Sol Vitorioso, que parecia que ia morrer, mas que, na realidade, surge invicto, invencível. A partir daí a natureza começa a desabrochar até atingir o seu apogeu precisamente no dia de S. João.
...
A festa de S. João é a mais vital e entusiástica de todas as celebrações populares. O seu culto fundamenta-se nas antigas festas naturalísticas do solstício de Verão, assimiladas pelo cristianismo.

Os grandes festejos ocorrem, sobretudo, na noite de 23 de Junho, que é uma noite mágica por excelência, em que tudo pode acontecer; há prodígios, as plantas e as águas tornam-se sagradas, a comunicação é total.

Segundo a crença popular, baseada em antigas tradições comuns a outros povos, as plantas colhidas nessa noite, antes do Sol nascer, têm grandes virtudes medicinais e poderes divinatórios, relacionados com a saúde, a prosperidade e, sobretudo, a felicidade em amores e casamentos. S. João é mesmo chamado “Santo casamenteiro”, e as uniões celebradas nesse dia “são para durar”.

Os folguedos da noite de S. João, com mouras encantadas, balões, fogueiras, orvalhadas, augúrios à meia-noite de carácter amoroso, banhos matinais motivados pela crença na virtude das águas antes do sol nascer, virtude das ervas, cascatas, bailes e danças, são restos de antigas crenças pré-cristãs, vestígios de velhos cultos naturalistas, englobados pelo povo sob o emblema cristão de S. João.

Relembramos que na noite de S. João, segundo a tradição, os ares estão povoados por seres, benéficos ou maléficos (bruxas, forças fecundas, etc.), que ora se manifestam espontaneamente para nosso bem ou contra nós, ora se captam a nosso favor, ora se esconjuram por meio de práticas adequadas, utilizando sobretudo o fogo, a água e as ervas.

O costume de saltar a fogueira nessa noite assenta na crença do poder vivificante e fertilizante do fogo. Segundo a crença popular, saltar por cima das fogueiras de rosmaninho e de outras plantas balsâmicas, colhidas durante a noite de S. João, tem a virtude de livrar de bruxedos, feitiçarias e outras maleitas. Por outro lado, o poder exorcizante deste elemento ígneo, “que põe em fuga os demónios que aparecem nesse dia”, está bem patente na profusão de fogos e balões de S. João que exaltam a vitória da luz sobre as trevas.” – Eduardo Amarante

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COMEMORANDO A PÁTRIA PORTUGUESA: 24 de Junho de 1128